Rio Grande do Norte
17.03.2026
O Rio Grande do Norte consolidou uma mudança estrutural na educação básica ao instituir as Diretrizes Curriculares do Ensino de Computação (DCEC/RN), alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à legislação federal que tornou a educação digital obrigatória. A iniciativa, conduzida pela Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer (SEEC) em parceria com a União dos Dirigentes Municipais de Ensino (Undime-RN), vai além da atualização curricular: integra o ensino de computação a uma política contínua de investimentos em tecnologia educacional, reunida no programa Geração Conectada.
Mais do que ensinar o uso de computadores, com o novo currículo, a computação passa a ser tratada como área de conhecimento essencial, voltada à formação integral do estudante, articulando habilidades cognitivas, sociais e éticas.
“A computação permite ao estudante não apenas utilizar ferramentas tecnológicas, mas compreendê-las criticamente. Essas competências deixaram de ser diferenciais e passaram a ser básicas para o exercício pleno da cidadania”, destaca a secretária de Educação do RN, professora Socorro Batista.
Três eixos estruturam o novo currículo
O ensino de computação no RN será desenvolvido a partir de três eixos centrais, que acompanham o estudante desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. O primeiro é o Pensamento Computacional, que trabalha a resolução de problemas, a lógica, a criação de algoritmos e o reconhecimento de padrões, habilidades comparáveis, hoje, à leitura e à escrita. O segundo eixo, Mundo Digital, aprofunda a compreensão sobre o funcionamento de computadores, redes, internet e processamento de dados. Já a Cultura Digital aborda temas como ética, segurança, combate à desinformação, uso responsável das redes sociais e os impactos da tecnologia na vida social.
Clique aqui e leia o documento curricular.
A proposta busca garantir que o estudante compreenda a tecnologia não apenas como consumidor, mas como sujeito ativo, capaz de analisar, criar e tomar decisões conscientes em uma sociedade cada vez mais digitalizada.
Implementação respeita autonomia das redes
A aplicação das Diretrizes Curriculares do Ensino de Computação na Educação Básica no Rio Grande do Norte, seguirá modelos distintos, respeitando a autonomia dos sistemas de ensino. Na rede estadual, a computação será trabalhada de forma transversal, integrada aos componentes curriculares já existentes e a projetos interdisciplinares. Os municípios poderão optar entre esse modelo ou a criação de um componente curricular específico de Computação, desde que a proposta seja aprovada pelo Conselho Estadual de Educação do RN.
“A construção das Diretrizes Curriculares do Ensino de Computação na Educação Básica no Rio Grande do Norte foi resultado de um processo amplamente colaborativo, que envolveu diferentes atores da educação, respeitando as realidades das redes e fortalecendo o regime de colaboração entre Estado e municípios. Esse diálogo foi fundamental para garantir um documento consistente, aplicável e comprometido com a formação integral dos estudantes potiguares”, destaca Petrúcio Ferreira.
A expectativa é que as Diretrizes Curriculares do Ensino de Computação na Educação Básica no Rio Grande do Norte contribuam tanto para a formação cidadã quanto para a preparação dos estudantes para as chamadas carreiras do futuro, como ciência de dados, inteligência artificial, robótica e áreas tecnológicas emergentes.
“As diretrizes asseguram aos municípios a autonomia para definir a melhor forma de implementação, seja de maneira transversal, integrada aos componentes curriculares, ou como componente específico de Computação. Para os municípios que não possuem sistema próprio, a proposta deverá ser apreciada pelo Conselho Estadual de Educação, enquanto aqueles com sistema próprio deverão submetê-la aos seus Conselhos Municipais.”, explica o presidente da entidade.
Geração Conectada: tecnologia no chão da escola
A implementação das diretrizes é sustentada pelo Geração Conectada, programa que reúne os investimentos do Estado em tecnologia educacional entre 2019 e 2025. No período, o Governo do RN investiu R$ 193 milhões em ações que incluem aquisição de equipamentos e a universalização da internet banda larga em todas as escolas da rede estadual. Desse total, R$ 77 milhões foram destinados exclusivamente à conexão banda larga.
Com as entregas realizadas nos últimos anos, mais de 25 mil Chromebooks chegaram para estudantes, professores e escolas da rede estadual. As ações contemplam escolas urbanas e rurais, unidades de educação profissional, centros de educação especial e núcleos administrativos. Atualmente, 100% das escolas estaduais estão conectadas à internet banda larga, infraestrutura que passa a ser melhor explorada com a chegada dos laboratórios móveis.
Em parceria com o Governo Federal, o Estado também implantou três unidades da Rede de Inovação para Educação Híbrida (RIEH), fortalecendo metodologias que integram ensino presencial e digital. Paralelamente, a SEEC vem estruturando uma rede própria de produção audiovisual e tecnológica para apoiar a aprendizagem em todo o território potiguar.
Núcleos de Inovação e laboratórios makers
Essa ação inclui a criação de Núcleos de Inovação, voltados à produção de conteúdos educacionais e ao apoio pedagógico. O RN contará com quatro unidades: Natal, inaugurado em abril de 2024 e considerado o primeiro do Brasil; Pau dos Ferros, inaugurado em julho de 2025; Caicó, entregue em novembro de 2025; e Mossoró, com inauguração prevista para 2026.
Outro eixo estratégico é a implantação de laboratórios makers, espaços colaborativos equipados com impressoras 3D, cortadoras a laser, kits de robótica, ferramentas de marcenaria e eletrônica e materiais de prototipagem. A proposta é estimular a criatividade, a experimentação e o protagonismo estudantil, em sintonia com a política de fortalecimento da educação integral e do desenvolvimento das competências do século XXI.
Inclusão como princípio
As diretrizes também incorporam um forte compromisso social. O ensino de computação será adaptado às especificidades da Educação do Campo, Quilombola e Indígena, integrando tecnologia aos saberes tradicionais e respeitando a diversidade cultural e linguística. Na Educação Especial Inclusiva, o foco está no uso de tecnologias assistivas e materiais adaptados, garantindo acessibilidade a estudantes com deficiência ou transtorno do espectro autista. Já na Educação de Jovens e Adultos (EJA), o currículo prioriza o letramento digital voltado ao mundo do trabalho e à cidadania, enfrentando a exclusão digital de gerações historicamente afastadas dessas tecnologias.
Formação docente e governança
Para garantir a sustentabilidade da mudança curricular, o Estado criou, em 2024, a Coordenadoria de Inovação e Tecnologias Educacionais (COINTE), responsável por articular a política de educação digital na rede estadual. A formação continuada dos professores será realizada em parceria com universidades, plataformas como o Ambiente Virtual de Aprendizagem do Ministério da Educação (AVAMEC) e os Núcleos de Apoio em Tecnologia Educacional (Nate), situados pelas regionais de ensino.
“A COINTE tem atuado para apoiar as escolas e professores nesse processo, articulando formação continuada, infraestrutura e produção de materiais pedagógicos, para que o currículo se concretize no chão da escola”, pontua Josenildo Souza, coordenador de Inovação da Educação do RN.
Com as Diretrizes Curriculares do Ensino de Computação, o Rio Grande do Norte consolida a tecnologia como campo de conhecimento estruturante da educação básica, reafirmando que inclusão digital, pensamento crítico e cidadania são pilares indissociáveis de uma escola pública comprometida com o futuro.