Rio Grande do Sul
27.03.2026
Com o avanço cada vez maior das tecnologias digitais, principalmente em um cenário de evolução da Inteligência Artificial (IA), o governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria da Educação (Seduc), lançou a nova Política de Tecnologia para a Rede Estadual. O lançamento ocorreu nesta quinta-feira (26/3), em Porto Alegre no espaço Innovation Stage do South Summit Brazil, evento correalizado pelo governo do RS.
Em meio a um ambiente que respira inovação, o painel contou com a participação da secretária da Educação, Raquel Teixeira; da CEO da MegaEdu, Cristieni Castilhos; e da Diretora-Presidente da Fundação Telefônica Vivo, Lia Glaz.
"Estamos criando uma rede de escolas inclusivas, conectadas e atraentes", pontuou a secretária da Educação. - Foto: Cainan Silva | ASCOM Seduc
O encontro abordou os temas relacionados às estratégias e orientações que as escolas estaduais devem seguir para utilizar as possibilidades do mundo digital de forma responsável. Ao alinhar a prática em sala de aula com os marcos regulatórios, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Marco Civil da Internet, a política traz uma série de diretrizes que estão estruturadas em três pontos: aprendizagem; infraestrutura e conectividade; e sistemas de informação e gestão.
Com isso, a proposta é permitir que a tecnologia esteja presente no currículo e nas práticas pedagógicas de forma responsável, incluindo temas como a proteção de dados e a utilização segura, consciente e crítica da IA nas salas de aula. Além disso, a política trata da formação continuada de educação, cultura de dados, digitalização de processos, e prevê diretrizes para as especificidades de cada escola, levando em consideração as realidades locais.
Domínio das tecnologias
Em sua fala de abertura, a secretária da Educação destacou que a proposta do documento não se restringe apenas a aumentar a oferta de computadores e dispositivos para os estudantes.
Raquel citou uso ético, consciente e seguro da tecnologia - Foto: Gustavo Perez | ASCOM Seduc
Raquel ressaltou que os desafios contemporâneos exigem que os estudantes tenham um domínio cada vez maior das tecnologias.
“O mundo do século XXI precisa de mentes criativas, curiosas e abertas ao novo, capazes de resolver problemas de forma colaborativa. Dentro desse cenário novo, nós já temos a infraestrutura e a base legal. Agora nós estamos lançando a política, definindo as premissas, os fundamentos e os norteadores para trabalhar o uso ético, consciente e seguro da tecnologia. Estamos criando uma rede de escolas inclusivas, conectadas e atraentes,” enfatizou.
Cristieni, por sua vez, chamou a atenção para o fato que o Rio Grande do Sul foi o Estado que mais investiu em equipamentos tecnológicos no último ano, conforme dados do Censo Escolar 2025. Para ela, isso demonstra o comprometimento do governo do Estado com a universalização da conectividade escolar, que impacta diretamente no aspecto econômico. "Estudos internacionais indicam que a cada aumento de 10% na conectividade das escolas, pode haver um crescimento de até 3% no Produto Interno Bruto (PIB) de um país", afirmou a painelista.
Reduzindo desigualdades
A política busca reduzir as desigualdades regionais, criando um ecossistema que garanta o mesmo acesso ao mundo digital a todos os estudantes. Segundo Cristieni, a educação deve permitir que os alunos possam se enxergar como protagonistas, desenvolvendo as habilidades necessárias para atuar com o pensamento computacional. "Não se pode esperar que um jovem saia do ensino médio para um curso de programação se ele nunca teve acesso a um computador", pontuou.
Para a diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo, Lia Glaz, a força da nova política reside na sua capacidade de integrar frentes que, historicamente, caminhavam separadas. "Durante muito tempo, tratamos infraestrutura, currículo e formação de professores como temas isolados. O que o Estado apresenta hoje é uma proposta de unidade, que conecta o acesso à internet e aos dispositivos ao direito que o estudante tem de aprender em um futuro que já chegou", explicou.
Olhares atentos para falas em painel sobre aplicação de inovação e tecnologias para a educação pública - Foto: Cainan Silva | ASCOM Seduc
A implementação da política também ocorre em um contexto de investimentos em conectividade para as escolas estaduais. A rede possui 600 instituições de ensino com Wi-Fi de alta velocidade. Ainda no primeiro semestre de 2026, esse alcance será expandido chegando em até 900 escolas.
Desde o início do governo Leite, as escolas estaduais começaram a receber e utilizar os Chromebooks, que são computadores portáteis, com recursos desenvolvidos para o acesso on-line de maneira rápida e simples. Integrados com as contas institucionais de e-mail de alunos e professores, os equipamentos já fazem parte do dia a dia da Rede Estadual.
Hoje, são cerca de 291 mil Chromebooks distribuídos em todas as regiões do Estado. O número representa uma média de um computador para cada três estudantes, expandindo as possibilidades didáticas com o uso de ferramentas digitais, como vídeos, sons e imagens, jogos educativos e pesquisas interativas. Para garantir a continuidade das atividades, todas as escolas possuem contrato de Operação e Manutenção (O&M) e contam atualmente com o suporte de 30 equipes de implementação.
Texto: Ascom Seduc
Edição: Secom