Mato Grosso do Sul
28.10.2026
Uso consciente da inteligência artificial nesta escola se faz presente até nas aulas de história.
Antes de abrir qualquer ferramenta de inteligência artificial, o estudante Yazo Leonardo, do 9º ano, pegou um lápis e desenhou uma charge com crítica de um problema ambiental. Só depois, recorreu à IA para buscar referências e colocar lado a lado a versão humana e a artificial.
O exercício virou aula de História na Escola Estadual Maestro Heitor Villa-Lobos, em Campo Grande, onde as metodologias ativas transformaram estudantes do Ensino Fundamental e Médio Integral em investigadores do passado.
O lápis antes da máquina
A produção de charges foi feita em duas etapas. Na primeira, os estudantes criaram desenhos autorais relacionando conteúdos históricos a temas do presente. Na segunda, escreveram prompts para que a IA ajudasse a aprimorar os elementos visuais, sem tomar lugar das ideias de quem criou.
“Usamos IA para nos dar referências de ideias. E nós desenhamos e usamos a IA para comparar a versão humana com a da inteligência artificial”, conta Yazo.
A professora de História, Mariely Zambianco, explica o limite que orienta o trabalho. “A inteligência artificial é utilizada como ferramenta de apoio para aprimorar aspectos visuais das produções, sempre preservando a autoria, a criatividade e a identidade desenvolvida pelos alunos.”
Cada um aprende e ensina um pouco
Cada estudante foi aprendiz e mediador ao mesmo tempo, explicando temas aos colegas, formulando perguntas e trocando de dupla ao longo da atividade facilitada pela metodologia World Café.
Nela, o diálogo é projetado para promover conversas colaborativas e troca de conhecimentos em grupos em um ambiente acolhedor e informal para responder a perguntas relevantes e gerar inteligência coletiva.
Assim, foi feita uma revisão sobre a República Oligárquica, que ganhou outro ritmo.
Na modalidade de Rotação por Estações, os grupos percorreram desafios sobre as revoluções Francesa e Industrial, com mapas mentais, interpretação de personagens e comparação entre os dois processos. Em Caminhos da Civilização, o percurso foi da Pré-História ao surgimento das primeiras sociedades organizadas.
“Busco desenvolver práticas que coloquem os estudantes no centro do processo de aprendizagem”, resume a professora Mariely.
O repertório inclui ainda um jogo de memória com cartas sobre os períodos Paleolítico, Neolítico e a Idade dos Metais, além de jogos de tabuleiro temáticos que revisaram conteúdos de forma lúdica.
A intenção por detrás do método
Na EE Maestro Heitor Villa-Lobos, a professora coordenadora de práticas inovadoras, Larissa Salvá, acredita que o diferencial não está na tecnologia em si.
“A inovação está na escolha de metodologias que desafiam os estudantes a investigar, analisar criticamente, dialogar, resolver problemas e construir conhecimentos de forma colaborativa”, disse ela.
A assessora escolar Ana Célia Ferreira reforça que o planejamento dá sentido à prática. “A metodologia sozinha não transforma a aprendizagem. É a forma como ela é planejada e conduzida que faz a diferença.”
As atividades estão alinhadas às competências e habilidades da Base Nacional Comum Curricular, a BNCC, e somam-se a outras experiências da escola já publicadas aqui, como a criação do jogo de tabuleiro para aprender história na prática.
Gilberto Junior, SED
Foto: Divulgação