Mato Grosso do Sul
05.11.2026
Quando o idioma é a primeira fronteira que a escola decide derrubar.
Chegar em um país novo aos 10 anos de idade, sentar numa sala de aula onde tudo é dito numa língua que você mal compreende e tentar aprender matemática, história e ciência ao mesmo tempo que aprende a pedir água.
Essa é a realidade de treze estudantes estrangeiros, a maioria venezuelanos, que chegaram à Escola Estadual Maestro Frederico Liebermann, em Campo Grande, nos últimos anos.
Para esses jovens, o maior obstáculo não é o conteúdo, é a língua. E foi para derrubar essa fronteira que nasceu o projeto ‘Novo Lar, Novos Saberes’ uma iniciativa piloto que ensina o Português, não como disciplina, mas como idioma de acolhimento, uma ferramenta de comunicação, integração social e construção de identidade num lugar novo.
Estudante chegou há seis meses
A estudante G.N.R., do 5º ano, chegou da Venezuela há mais ou menos seis meses e já sente a diferença que o projeto fez na sua adaptação.
“É muito bom pra gente melhorar nosso português, especialmente para alguns estudantes que chegara sabendo menos que eu”, conta ela sobre o projeto de acolhimento que chegou a tempo para quem mais precisa.
Da sala de aula para a vida
As aulas são ministradas pela professora coordenadora Andrea Tatiane Camargo, que desenvolve atividades acolhedoras e significativas, respeitando as especificidades linguísticas e culturais de cada estudante.
O projeto começou com turmas do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental e já vem sendo ampliado para outras turmas conforme a demanda identificada pela equipe escolar.
Após dois meses de desenvolvimento, os resultados apontam para algo que vai além do aprendizado do idioma, fortalecendo relações interpessoais, autoestima e pertencimento à comunidade.
Escola que constrói pontes culturais
Mais do que ensinar uma nova língua, o ‘Novo Lar, Novos Sabores’ constrói pontes entre o que o estudante era antes de chegar e o que ele pode se tornar aqui. Entre a cultura que trouxe na mochila e a que encontrou na sala de aula.
Entre o silêncio de quem não entendia o que era falado e agora já consegue se expressar naturalmente.
Sob a gestão da diretora Ana Elisa Spazzapan e o diretor-adjunto Carlos Alberto Passarinho, a escola Mastro Liebermann reafirma que inclusão não é apenas abrir o portão da escola.
“Quando um estudante que chegou sem entender uma palavra começa a se expressar e fazer amigos, a participar das aulas, isso mostra que a escola cumpriu seu papel mais essencial que é garantir que todo estudante encontre aqui um lugar com pertencimento” destacou a diretora.
Gilberto Junior, SED
Foto: Arquivo Escolar